Infiltração Foraminal

A infiltração na coluna é um método minimamente invasivo para o tratamento de dor na coluna. Esses bloqueios consistem na injeção de medicamentos (corticoides e anestésicos locais) em alguns locais da coluna, com o objetivo de bloquear o estímulo doloroso originado nas articulações da coluna (infiltração de faceta articular) ou nos orifícios onde passam os nervos que se dirigem aos membros (infiltração foraminal). A ação analgésica aguda é proporcionada pelo anestésico local e a anti-inflamatória a médio e longo prazo, pelo corticoide.
Além disso, ajudam na reabilitação, quando o paciente não está mais conseguindo evoluir nos exercícios por sentir dor, mesmo com o tratamento clínico corretamente instituído. Outro benefício claro do procedimento é a possibilidade de reduzir ou mesmo suspender os medicamentos ingeridos, que muitas vezes causam desconforto, além de efeitos colaterais gástricos, renais, entre outros.

Figura1. Material utilizado para bloqueio. Anestésico, corticóide e agulha espinal.

As infiltrações ou bloqueios ajudam a identificar a real causa da dor quando o exame clínico e as imagens deixam dúvida. Desta forma, cirurgias mais agressivas podem ser evitadas e, com a identificação da estrutura causadora da dor, novos bloqueios podem ser direcionados para esta região, ou outros procedimentos minimamente invasivos, como os tratamentos por radiofrequência podem ser indicados.

Orientações pré-infiltração
Para realizar o procedimento, o paciente deve estar em jejum de líquidos e sólidos por 8 horas antes do procedimento. Anticoagulantes ou AAS devem ser suspensos antes do procedimento. Paciente deve levar todos os exames realizados, principalmente a ressonância magnética da coluna e exames de sangue.

Figura 2. A esquerda, bloqueio epidural caudal, guiado por intensificador de imagens. À direita, ilustração de bloqueio epidural interlaminar lombar.

O procedimento
No momento da infiltração, será realizada uma anestesia local na pele com uma agulha muito fina. Geralmente, a região da infiltração fica amortecida por algumas horas após a infiltração. Durante o procedimento, o paciente estará sedado pelo anestesista, portanto, um pouco sonolento. Na maioria dos casos, os pacientes também podem ter um pouco de amnésia devido a sedação e algumas vezes acordam sem perceber que foi realizado o procedimento.
Paciente fica deitado de bruços (abdome para baixo). É realizada uma limpeza da pele da coluna com uma solução antisséptica e álcool. No momento do início da infiltração, será utilizado um aparelho de imagem (intensificador de imagens) para visualização em tempo real do ponto correto para a entrada da medicação. Iniciada a infiltração, o paciente poderá sentir um leve desconforto no trajeto da sua dor da coluna e até mesmo na perna ou braço, isto quer dizer que o ponto aplicado está correto.

Figura 3. Técnica de bloqueio foraminal. À esquerda os pontos de entrada em esquema didático, à direita o controle radiográfico realizado durante o procedimento que confirma o exato ponto de administração da medicação.

Resultados
Imediatamente após a infiltração, o paciente pode sentir a perna ou braço amortecido. Essa sensação dura por algumas horas após o procedimento e depois passa. Nos primeiros 3 ou 4 dias da infiltração, pode ocorrer dor na coluna no ponto da infiltração e também pode sentir dor na perna. Isso acontece pois nos primeiros dias essa região fica mais sensível e o corticoide tem um efeito irritativo até ser absorvido pela região. Normalmente a dor passa a partir do 40 e 50 dias pela reabsorção da medicação e início do efeito analgésico e anti-inflamatório do corticoide, que pode persistir por vários meses.
Algumas vezes, é difícil prever em quais pacientes haverá um efeito mais positivo. Pacientes que apresentam dor na coluna que irradia para a perna ou braço respondem melhor a medicação do que aqueles que têm apenas dor na coluna. Da mesma forma, pacientes que apresentam início da dor há pouco tempo respondem melhor do que aqueles que têm dor há muito tempo.

Orientações pós-infiltração
Alguns pacientes ainda persistem com algum desconforto e dor na região da coluna ou da perna, então será recomendado repouso nos dias seguintes (cerca de cinco dias). Em uma minoria dos pacientes, a dor pode persistir mais alguns dias e pode ser necessário manter o repouso. Isso varia de paciente para paciente.

Riscos e efeitos colaterais
De uma forma geral esse procedimento é muito seguro. Entretanto, como qualquer procedimento médico, existem complicações e possíveis efeitos colaterais. O efeito colateral mais frequente é a dor no local da infiltração após o término do efeito do anestésico local. Essa dor costuma melhorar nos primeiros dias. Riscos extremamente raros são dor de cabeça, punção dural, infecção, sangramento e piora dos sintomas. Outros efeitos muito incomuns e temporários são aumento da glicemia e retenção hídrica em decorrência do corticoide.

Contra-indicações ao procedimento
Cada caso deve ser avaliado individualmente, porém algumas contraindicações são: problemas de coagulação, infecção ativa, diabetes descompensado, doenças cardíacas descompensadas e gravidez. Pacientes que apresentam além da dor, comprometimento neurológico como perda de força ou perda grave de sensibilidade geralmente apresentam indicação de outras cirurgias da coluna.