FRATURAS POR TRAUMAS DE ALTA ENERGIA

As fraturas da coluna vertebral, normalmente, ocorrem após traumatismos de alta energia como quedas de alturas e atropelamentos. Algumas condições, como tumores na coluna e osteoporose, podem fragilizar as vértebras, fazendo com que fraturas possam ocorrer sem traumatismo importante.
O local mais comum de fraturas é a região tóraco-lombar (T12-L1) por ser um local de transição entre uma região mais rígida (coluna torácica) e uma região mais móvel (coluna lombar). Nos pacientes politraumatizados e em traumas de alta energia, é muito comum haver lesões associadas (pulmonares, abdominais e outras fraturas).

Tipos de Fratura
Os tipos de fratura são divididos de acordo com o mecanismo de trauma em:
- Fratura por compressão: muito comum em paciente com condições que enfraquecem os ossos (osteoporose ou neoplasias). Neste tipo, a parte anterior da vértebra é achatada, representando uma menor instabilidade biomecânica.
- Fratura por flexão-distração: causada por traumatismos de alta energia, quando a corpo é projetado bruscamente para frente, lesionando os ligamentos da coluna, além da parte óssea. Normalmente, são lesões instáveis.
- Fratura-luxação: são as lesões mais graves e mais instáveis, com grande potencial de lesão neurológica, na qual a coluna sofre um "deslocamento".


Diagnóstico
Na maior parte das vezes, o diagnóstico é feito com uma radiografia simples em duas incidências. Quando se tem alguma dúvida, é necessário complementar com uma tomografia computadorizada, que é o exame com melhor definição para estruturas ósseas. Na vigência de alguma lesão neurológica ou para se determinar a presença de lesão ligamentar, a ressonância magnética tem papel fundamental.

Figura 1. Fraturas na coluna lombar ao nível de L1 e L4, mostrando explosão com múltiplos fragmentos no corpo da vertebra de L4.
Figura 2. Tomografia computadorizada de coluna cervical, diagnosticando fratura cervical de C5.
    


Tratamento
Conservador: medicamentos para o controle da dor + utilização de coletes durante o período de consolidação da fratura ( 3-4 meses). 
Cirúrgico: reservado para a minoria dos casos, de fraturas instáveis e/ou com lesões neurológicas associadas. A técnica cirúrgica empregada será definida pelo seu médico, em conjunto com o paciente, orientado dos riscos e benefícios de cada técnica disponível.

Figura 3. Tratamento cirúrgico da fratura da Figura 1, com fixação T11-S1.
Figura 4. Tratamento cirúrgico da fratura de C5, com retirada do corpo vertebral (corpectomia) de C5, colocação de gaiola (cage) de titânio e fixação com placa e parafusos.



Referências:
Ghobrial GM et al. Operative and nonoperative adverse events in the management of traumatic fractures of the thoracolumbar spine: a systematic review. Neurosurg Focus. 2014;37(1):E8.
Riaz-ur-Rehman et al. Treatment of traumatic unstable thoracolumbar junction fractures with transpedicular screw fixation.  Pak Med Assoc. 2011;61(10):1005-8.