Espondilolistese

Espondilolistese, do grego spondilos, vértebra, e olisthesis, luxação, é o escorregamento ou a luxação de um corpo vertebral sobre o outro. Representa uma forma relativamente frequente de instabilidade da coluna vertebral, atingindo cerca de 5% da população geral. Na maioria das vezes são bem toleradas com o tratamento clínico, mas alguns casos podem precisar de cirurgia.
O tipo mais frequente de espondilolistese é a ístmica, em que há lesão na porção interarticular, que pode estar fraturada (espondilólise) ou alongada. Acredita-se que seja decorrente de múltiplos processos de microfraturas e consolidações, que alteram a morfologia das vértebras, tornando-a mais alongada. Outros tipos são as congênitas ou displásicas, degenerativa, pós-traumática e patológica.
O diagnóstico pode ser feito com radiografia simples, mas a radiografia dinâmica, a radiografia panorâmica, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética fornecem informações relevantes para instituir o tratamento.
A deformidade, mais comum na coluna lombar, pode gerar alteraçōes biomecânicas em toda coluna vertebral, bacia e membros inferiores, culminando com dor lombar crônica e alterações dos padrões de marcha.
O tratamento cirúrgico está indicado quando há falha no tratamento conservador, instabilidade radiológica com presença de sintomas neurológicos, piora progressiva da listese, listese maior de 50% ou lombalgias incapacitantes. Existem várias técnicas cirúrgicas, mas o objetivo é sempre o mesmo: descompressão das estruturas nervosas e estabilização da coluna.
A via anterior pode ser optada, com uso de gaiolas (cages) de titânio, placa e parfusos. Abordagem posterior realiza descompressão e estabilização com parafusos pediculares. Em graus mais avançados de listese, pode-se indicar a estabilização combinada via anterior e posterior.

Referência:
Samuel AM et al. Treatment for Degenerative Lumbar Spondylolisthesis: Current Concepts and New Evidence. Curr Rev Musculoskelet Med. 2017;10(4):521-529.
Guigui P et al. Surgical treatment of degenerative spondylolisthesis. Orthop Traumatol Surg Res. 2017;103(1S):S11-S20.